>DOMINGOS

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Minha Vó Alzira, Meu Avô Domingos, Crisitna (minha irmã) e eu
Não é do dia mais sossegado da semana que vou falar… o Domingo, vou falar aqui de um homem que de sossegado não tinha nada, um homem como não se faz mais como antigamente, cabra macho sim senhor.
Vô Domingos, pai de minha mãe. Veio para o Brasil tentar um golpe de sorte deixando 4 filhos e esposa em Portugal, para que assim que se estabelizasse no Brasil, mandava vir todos, e assim o fez depois de um tempo, e com muito custo bancou a passagem para que todos viessem de navio, que incluia esta que seria minha mãe.
E graças ao meu avô que meu pai conheceu a minha mãe. Meu avô trabalhava em uma destilaria de cachaça, gerenciava o mesmo,  e um dia meu avô andando na rua, foi parado por um jovem que pedia informação, meu avô percebendo que este jovem era português igual ele, e estava a pouco tempo no Brasil procurando emprego, ofereceu a ele de ir trabalhar na destilaria, este jovem veio a ser meu pai… Meu avô caiu na besteira de chamar meu pai para morar com eles… Bom ai a história todos sabemos. Meu pai casou com minha mãe e pronto.



Em pé: Tia Mirita, Tio Manuel, Minha mãe, Meu avô e Prima Elaine
Sentados: Tio Carlos, Meu pai, Vanessa (No carrinho) Primo Helton e minha irmã
Quem olhava meu avô nos últimos anos de vida, não imaginava a força física e de caráter que ele tinha. Umas das histórias mais me impressionaram entre várias que escutei do meu avô mostra como ele era.
Meus avós sempre tiveram comércio,  e tinham um barzinho na Vila Maria, Rua Arari Leite – meu avô na parte da tarde costumava descançar na casa deles que ficava no fundo do bar, e minha vó Alzira ficava tomando conta do bar, um dia apareceu um homem e começou a fazer graças para minha avó. E minha vó pedindo para ele ir embora que meu avô podia acordar… Mas o homem não levou a sério o negócio e continuou fazendo graça para minha avó, não deu outra… Meu avô escutou e veio correndo, pegou uma garrafa de cerveja vazia pelo gargalo quebrou o fundo dela no balcão do bar, e adivinhem?! enfiou na barriga do cara… Apareceram lá em casa de meus pais, os dois fugidos vô e vó, fecharam o bar… Até hoje não sei direito o que aconteceu com o homem que meu avô acertou, mas depois de um tempo meu avô voltou sua vida normal.
Lembro-me muito de minhas férias na casa dos meus avós, e meu avô sempre de manhã ia fazer compras no mercado velho da Vila Maria, e eu sempre ia com ele, porque nunca voltava de mãos vazias, ele sempre comprava algo para mim, ou um carrinho, um gibi, ou sei lá o que… mas sempre voltava com algo.



Minha Avó, Meu Avô, Prima Vanessa e Eu
Meu avô teve um declínio muito na vida com a morte da minha avó, aquela fortaleza toda foi se desmoronando e depois de uns anos ele teve um pequeno AVC que paralisou o lado direito dele. Mas aquela força era imensa ele ainda não ia se entregar. Como eu estava sem emprego, tinha acabado de sair do meu último emprego, fui convocado a ajudar meu avô nessa reabilitação, dormi com ele alguns dias no hospital, ajudando ele a ir no banheiro, se limpar, na época foram dias difíceis, mas tudo valeu a pena. Eu lembro do meu avô me mostrando que ele estava mexendo a perna, e assim foi… um dia ele mexia mais, depois já ficava em pé, meu pai comprou uma bengala para ele… ai ele já se levantava. Foram momentos de muita intimidade com ele, tive a oportunidade de conhecer de verdade esse homem tão inteligente, de uma garra, e de um humor extraordinário…  um humor negro.
Esse humor dele era muito ácido. Um amigo dele havia morrido, um amigo de muitos anos o Sr. Joaquim, e eu perguntei para meu vô se ele não ia no velório, e ele de pronto respondeu:
– Eu não!!! ele já não vai no meu…  (faz sentido, não!?)

Outra vez quando meu pai morreu, ele estava lá no cemitério com minha irmã, e ele sentado tristinho, e minha irmã viu umas velhinhas que estavam lá no cemitério, e para brincar com meu avô minha irmã disse:

– Olha vô… as senhoras que bonitas (apontando para as tais velhinhas) – e de pronto meu avô respondeu:
– Tas maluca? enterro tá caro…
A resposta era rápida, e sempre ácida… Tenho um pouco dele comigo, mas fico mais calado.

Os anos passaram e ele foi se definhando, definhando, e se tornou um velhinho magrinho, frágil, com a bengalinha e chapéuzinho na cabeça e no máximo dava uma voltinhas no quarteirão… até que ele descançou… Teve uma despedida calma e dormindo…

Foi eu fui quem arrumou ele e trocou, eu fiz com muita honra, pois havia feito algumas vezes em vida, porque não ia fazer agora? Mas aprontei uma com meu avô… esqueci de colocar os sapatos nele, e só fui perceber quando o caixão já estava todo arrumado… Tinha que ser com ele!?…
Fiquei com peso na conciência por muito tempo, mas depois de ver que os ingleses enterram os seus sem sapatos me confortou, e o dia que eu partir peço que eu vá da mesma forma, sem sapatos… Ai fico de conciência limpa plenamente…
Com sapatos ou sem sapatos… esse foi um pouco do meu vôzinho… Deixou saudades…

>SBT – Sistema Bem Trabalhoso

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“Mais vale a lágrima da derrota, do que a vergonha de não ter lutado” autor desconhecido

Tem certos assuntos que a gente só guarda para nós, por vergonha do que os outros poderiam pensar de você,  são situações que por nós sentirmos vergonha, sabemos que são ridículas, ou até não são para os outros, mas são para você. Então por via das dúvidas colocamos na nossa sombra, lendo um livro esses dias descobri que isto se chama “efeito sombra”. (muito bom livro Efeito Sombra) muito esclarecedor. 

Esta história que colocarei de mistura de sonhos e loucuras, estava na minha sombra, e estes dias compartilhei com pessoas, contando minha luta por um sonho… e resolvi escrever.

Tudo começou nos anos 80 eu deveria ter por volta de 11 anos, meu amigo Marquinhos havia me contado que tinha ido com o pai de um amigo nosso o Afonsinho, no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) pois o pai desse nosso amigo era cameraman, e tinha um trabalho lá de sábado e levou eles para acompanhar as gravações… Eu sempre gostei de televisão, acho o máximo até hoje, e confesso que comecei a me aproximar do Afonsinho para ver se um dia ele me levava também, demorou muito tempo, pois não tínhamos muita amizade, então tive que ir devagar. Mas um sábado eu estava em casa e toca minha campainha, era o Afonsinho me chamando para ir com ele no SBT, nossa! meu coração quase saiu pela boca. Isso me tinha custado muitas bolinhas de gude, corridas em volta do quarteirão a pé (ele adorava correr), fitas de video game, alguns dos meu gibis da Turma da Mônica, foi um investimento alto…rsss Mas para falar francamente o Afonsinho era muito boa gente, de uma família bem estruturada e fina, só não tinhamos muita amizade por causa da diferença de 2 ou 3 anos de idade, que nessa época da vida pesa muito (eu era mais velho).

Enfim estava eu a caminho do SBT (na época TVS e era na Vila Guilherme bairro aqui de São Paulo) chegamos lá, fui perguntando logo se o Silvio Santos estava lá, mas não estava. Fiquei doido de felicidade. parecia um pinto no lixo, conheci os estúdios onde fazia o Bozo, a Mara Maravilha, o Jornal do SBT, meus olhos brilhavam. Naquele momento eu já sabia o que eu queria para minha vida, que até então era ser piloto de avião, eu queria trabalhar na televisão, não sei fazendo o que, mas queria e muito, cameraman, office-boy, ou seja qualquer coisa… eu precisava estar ali dentro, naquele clima alucinante para sair tudo certo.
 Mas lógico eu era muito novo, ainda muita coisa poderia acontecer na minha vida, mas eu nunca esqueci, nunca, meus pais mudaram de cidade, depois voltaram para São Paulo e eu sempre pensando nisso.

Eu já estava com uns 18 anos quando comecei de verdade a luta pelo meu sonho, comecei a mandar currículo para o SBT, todo o mês mandava, e mandava para atuar em áres diferentes, office-boy, caboman, produção, motorista. Nesta altura eu já trabalhava em uma empresa de consórcio, e usava máquinas de escrever e os selos postais para fazer e mandar o tal currículo, se me pegassem eu ficava sem emprego. O tempo foi passando e eu mandava sempre, já sem nenhuma esperança, mas mandava.

Minha irmã conseguiu ir para trabalhar em uma produtora de comercial de televisão, ela trabalhava como recepcionista, eu vi um caminho por ai, ia todo o dia de ônibus lá buscar minha irmã (como se ela precisasse!) para ver se conseguia assunto com alguém para entrar no meio. Mas minha irmã ficou pouco tempo lá, não deu tempo de me aprofundar no sistema.
Saí do consórcio, comecei a trabalhar com meu tio Cininho em sua oficina, e sempre com esperança.
Então descobri que um vizinho meu trabalhava no SBT, mas minha amizade com ele se resumia a “oi e tchau” eu não conhecia nenhuma pessoa influente que pudesse me dar uma forcinha, e vi nele mais uma chance, mas como?. Minha mãe começou a ficar amiga da mulher dele, e por golpe do destino ele sofreu um acidente de moto, se machucou todo e a mulher dele não conseguia ou não tinha coragem de cuidar dos curativos, e minha mãe se propos a ajuda-la, e eu ia junto para dar força ao meu novo amigão…rsss . Fiquei bem amigo do Hélio, compartilhei com ele minha vontade, e ele se prontificou a entregar meu currículo para uma pessoa influente no Depto Pessoal. Fiquei muito feliz e esperançoso, ligava para minha mãe todo o dia em casa para saber se alguém tinha ligado do SBT, mas nada, nada, nada… Nunca me ligaram, fiquei frustrado, mas continuei com esperança que ainda conseguiría de alguma forma.
Foram passando os anos veio a internet, e tome currículo pela internet no site do SBT, mas nada também.
Um amigo meu, se envolveu em um resgate no túnel do Anhangabaú aqui em São Paulo, o túnel encheu de água devido a chuva e as pessoas que estavam no lugar subiram no teto dos carros, e ele viu uma mulher se afogando e a salvou, então as televisões vieram entrevista-lo, e ele apareceu em um monte de telejornais. Com isso tive uma idéia, ligar para a produção do programa Domingo Legal e perguntar se eles queriam fazer uma entrevista com meu amigo, ele me deu o consentimento (embora achou que eu não ia conseguir) então liguei. Falei com um dos principais produtores do programa, chamava-se Sérgio e ele adorou a idéia, então passei o contato do meu amigo herói, e o Sergio me perguntou qual era meu interesse nisso, por ter passado, ai eu “travei” não esperava uma pergunta tão direta, eu desconversei mas ele “macaco velho” insistiu, mas não achei adequado falar, eu queria fazer uma amizade com ele primeiro. Domingo está lá meu amigo no palco do Gugu, contando sua história e ganhando vários presentes, e eu em casa todo orgulhoso por ter feito parte disso, pensando, um dia em um domingo, milhões de pessoas assistiram uma programação na tv graças a mim, para quem escuta um negócio desse pode não significar nada, mas para mim que gostava tanto dessas coisas era a felicidade quase plena. 
Passaram alguns dias, liguei para o Sérgio, mas já percebi que não estava tão interessado assim na minha voz, claro… a vida anda, tv é dinâmica, mas foi super educado comigo sempre, ele apareceu algumas vezes lá na oficina do meu tio (para dar alguns reparos no carro dele) e então achei que era hora, disse meu desejo a ele por telefone, mas não contei os detalhes, e ele disse que era para eu ir lá na Anhanguera (Central do SBT) e  entregar meu curriculo para ele, fui nas nuvens, se um cara como ele não conseguisse ninguém mais conseguiria, ele por ser um dos principais produtores do Domingo Legal eu já me considerava dentro. Levei o currículo, em um dia até que ele não conseguiu me dar muita atenção, mas enfim as esperanças voltaram. Mas mais uma vez, nada feito, não me chamaram, nem nunca me ligaram, não tinha muito mais o que fazer, não podia encher o saco do Sérgio mais do que já tinha enchido…
Cheguei em pensar de tentar ver o Silvio Santos e entregar na mão dele meu currículo, mas não sabia muito da rotina dele, na época não havia o Pânico na TV, que escancarou as idas dele no Jassa Cabelereiro, senão com certeza eu teria ido na maior cara de pau…

Eu não podia escutar falar que uma pessoa trabalhava no SBT que já ia eu com meu currículo na Anhanguera, conheci: o Marcos (iluminador), conheci um senhor que trabalhava na produção do Ratinho, fui duas vezes no programa do Ratinho para entregar na mão dele meu currículo… Entreguei na mão da filha do Valentino Guzzo (Vovó Mafalda)… mas também nada

Acredito que no total, com conhecidos e internet eu tenha mandado uns 50 currículos, e umas 10 idas e vindas ao CT da Anhanguera.

Eu aprendi muitas coisas com isso, que fez parte da minha vida por tantos anos, tenho a tranquilidade de saber que dentro do que eu podia eu lutei para realizar… Não me sinto frustrado, tive o desejo frustrado, mas acho que tudo aconteceu da maneira que tinha que ser. Nunca mais mandei nada, porque hoje tenho minha vida e estou satisfeito com o rumo que ela tomou… Acredito que tinha que ser assim… Aprendi a desistir também… até isso também se tira de lição… Tem um ditado japonês que diz:

“Lutar ou correr faz parte da batalha, não podemos ficar parados…”

>CARONA

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Bom… Para começar o ano de 2011 vou contar essa história que tem aquela máxima: Seria cômico se não fosse trágico!!!
Quando morei em Peruibe, eu tinha muito o costume de pegar carona, para ir para escola (quando perdia o ônibus), para ir ao centro da cidade ou fazer outra coisa, era normal de quem morava lá, era muito comum naqueles tempos, começo da década de 90, ficavamos na avenida principal fazendo aquele sinal caracteristico de quem pede carona. Peguei algumas vezes carona naquele tempo, até que um dia me aconteceu uma boa, que nunca mais na minha vida pedi carona.
Estava atrasado para ir para escola, naquela época eu estudava a noite, perto de onde é a prefeitura de Peruíbe, e fiquei na avenida esperando o ônibus, mas estava demorando muito e resolvi pedir carona. Ameacei pedir carona para um Chevette Azul que estava passando com um senhor dirigindo, mas achei que o ônibus estava vindo, e só fiquei na ameaça, e percebi que o senhor olhou bem nos meus olhos, mas foi embora. O ônibus passou e não era o meu, me arrependi de não ter pego, porque senti que o homem iría parar… mas enfim já tinha ido. Fiquei olhando para ver se arrumava uma carona ou se vinha meu ônibus, e para minha surpresa lá vem o Chevette Azul com o senhor de novo, que legal… ele percebeu que eu estava aflito para pegar o ônibus e não era o meu, quanta gentileza!!! pelo menos foi o que eu pensei na hora.
 Fiz o sinal e o homem parou, no que entrei no carro andou e ele perguntou:
-Você mora aqui?
– Sim… moro aqui nessa rua!! – Eu apontei para rua onde eu morava.
Mas ai começou uma bateria de perguntas, meu nome?, o que meu pai fazia? onde eu estudava? e etc… um monte de perguntas sobre minha vida, eu comecei a ficar com medo, mas o que poderia fazer, mais nada… Até que eu perguntei para ele:
– De onde você é? – e ele me respondeu uma coisa que preferia não ter escutado:
– Sou de São Paulo, mas estou indo para Registro, porque tenho um namoradinho lá…
-Hãã ??? – surpreso disse eu. De repente ele falou namoradinha né!?- pensei
-Sou de São Paulo, mas estou indo para Registro porque tenho um namoradinho lá… – repetiu.
Eu tinha entendido, mas queria não ter entendido, só fiquei pensado que me ferrei e de como iría sair ileso daquela situação, fiquei apavorado, mas me mative quieto, mas nada é tão ruim que não se pode piorar.
O homem pegou na minha mão, eu não sabia se gritava, se tentava dar um soco na cara dele, estava em uma ratoeira preso. Lembro-me muito bem dele mudando a marcha e segurando minha mão, ele olha para minha mão e diz:
– Você rói unha?
– Não… – respondo eu
– Não precisa cortar tão curtinha – disse ele.
Então ele falou algo que me deixou em apavoramento total:
-Sabe Luis, eu gostaria muito de ter um caso com você!
Eu já não falava mais nada, olhava pela avenida para ver se encontrava alguém conhecido, já estava chegando próximo do centro, mas não conseguia ver ninguém, realmente não sabia como iría sair daquela situação.
Ai ele começa a puxar minha mão para o lado dele e eu puxando minha mão de volta, parecia um cabo de guerra dentro do carro, e ele me perguntou:
-Posso te pegar hoje quando você sair da escola?
-Pode!!! Claro!!! – Eu disse que estudava em outra escola, o que eu queria era descer daquele carro. Quando chegou no centro de Peruíbe, eu disse:
-Olha vou ficar aqui! – era mentira porque ainda ia mais adiante, mas não queria que ele soubesse exatamente onde eu estudava e também queria descer daquele maldito carro.
Ai ele vira o carro em uma rua (que é a rua do cemitério de Peruíbe) e diz:
– Antes vamos conversar um pouquinho… 
Eu não tinha muita escolha, senti na pele “ou dá ou desce” o carro devia estar a uns 70 km por hora, abri a porta e me joguei para fora do carro, rolei, levantei e saí correndo todo esfolado (joelho, mão, canela) mancando e gritando:
– O CARA É VIADOOOO SOCORRO, SOCORRO…
As pessoas na rua não entendendo nada, ele acelerou o carro e sumiu, e eu não parava de correr e gritar, veio umas pessoas conversar comigo, e eu explicando a minha cagada…
 Enfim graças a Deus virou motivo de chacota e risos depois. O velho queria adentrar a parte posterior do meu reto… Eu hein!! nem pensar…

>ENTÃO É A DROGA DO NATAL…

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Então é Natal… mais um Natal, alegria, festa, compaixão, hora de olhar para o próximo, porque somente agora é hora? não é verdade?!
Mas este ano para mim esta data não tem nenhum significado, a não ser, de uns dias para descansar e só, para começar Jesus não nasceu nesta data, isto só mostra, que já que não sabemos, temos que fazer o bem o ano inteiro e constantemente amar o próximo. Mas isso é muito até para mim, nesta sociedade egoísta, consumidora e devoradora de bonzinhos, ou se vive uma vida de monge sem “porra” nenhuma, ou para comprar um televisor você infelizmente entrou para o clube do capitalismo. Natal = Festa do consumo. 
Natal já era para mim, Natal bom era na casa da minha avó Alzira, eu criança, correndo para lá e para cá com meus primos, presentes para todo mundo, mesa farta de comidas portuguesas, meus tios contando piada, a gente assistindo uma Papai Noel bobo na tv, que ficava sentado em uma cadeira sem fazer nada, meu avô no sofá bebendo sua soda limonada, minha irmã Cristina e prima Elaine já virando mocinha e com conversas ao “pé” do ouvido. Tudo acaba, o tempo passa, a graça passa, e só me resta a revolta de ter crescido. Infelizmente vejo que também não sou Peter Pan e ninguém também o é, a maioria desse pessoal se foi.
Tinha um brinquedo que eu estava louco para ganhar chamava-se Pega-Pega da Trol, parecia um autorama, em que tinha ladrão e polícia e um tinha que correr atrás do outro, depois de um destes Natais na casa da minha avó, chego em casa estava em cima da cama de meus pais montadinho para eu brincar, o Papai Noel¹ era muito esperto, enquanto fui na casa da minha avó ele montou para mim quando chega-se brincar, quase que não deixei meus pais dormirem naquela noite.
Um dia isso volta mais de outro jeito. Então o Natal foi suspenso na minha vida, um dia ele volta!!!
¹ – Quem montou o brinquedo  foi meu tio Carlos, ele saiu no meio da festa de Natal na casa da minha avó e foi montar para mim, lembro muito da cena ele brincando comigo quando cheguei.

>A CULPA É MINHA

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Sempre… Sempre levei culpa de coisas que não tinha nem a menor ideia do que se tratavam, muitas vezes também até tinha ideia, mas não era o culpado, ou pelo menos o único culpado. Parece um pouco coisa de perseguição, mas o fato que hoje até tenho dúvida de coisas que não fiz, se fiz mesmo. Aprontei muito mesmo, dei trabalho para meus pais quando era pequeno, assumo, sempre assumi, pelo menos as minhas “cagadinhas” eu assumi, mas tem coisas que realmente com o passar desses anos tenho dúvidas se foi eu… (risos), Mas uma das histórias eu sempre lembro como o cúmulo da culpa.
Certa vez um pouco antes de sair da praia para voltar para São Paulo, eu disse que queria um sorvete, pois tinha uma sorveteria bem ao lado de onde a gente estava, e minha mãe deu a ideia de pararmos no Rancho da Pamonha, é um lugar que fica na estrada bem próximo a São Paulo, que vende vários produtos principalmente a base de milho, poxa achei legal para caramba… lá fomos na estrada. Era final de um feriadão e entramos em um baita congestionamento, normal para estes dias. Meu pai espertão começou a cortar pelo acostamento o trânsito, e lá vai o português ultrapassando todo o mundo… Do outro lado da pista no sentido contrário vem uma viatura da polícia, e viu o ato infracionário do meu pai, e na hora viraram o carro em sentido que estávamos e vieram atrás, meu pai tentando um golpe de misericórdia voltou para a fila de carros como se nada tivesse acontecido, mas eles já tinham visto, pararam a viatura do nosso lado e mandaram estacionar nosso carro. Minha mãe “cochicha” para meu pai:
-Diz que paramos para o Luís fazer xixi e estavamos voltando tentando achar espaço… (Nossa que ideia genial)
O guarda para do lado do nosso carro, e meu pai foi logo se desculpando:
-Olha senhoire, sei o que deves estar pensando, mas meu filho estava apertado, e dei uma paradinha e estava voltando para fila de carros… sabes como é seu guarda, coisas de criança?!
O guarda ficou olhando sério para a cara do meu pai e disse:
-O senhor é macaco e todo o mundo é banana?!!  – meu pai ficou olhando para a cara do guarda, mas tenho certeza que ele não entendeu nada. (risos).
Bom, não teve jeito, meu pai tomou uma bela de uma bronca e uma multinha, e fora a canseira. Saímos de lá, e vem minha mãe olhando para mim:
-Viu só!!!??? você nem para falar para o guarda que realmente estava apertado! por causa de você seu pai tomou uma multa…
Que??? como assim???? eu? – eu pensava. Bom até pensei mesmo que estava com vontade de mijar e pedi para parar. Só assim poderia entender tamanha acusação.
 Mas o melhor dessa viagem ainda estava por vir. Lembra que falei da tal história do sorvete lá em cima no texto? bom continuamos na viagem… depois de horas, de viagem, e quem já subiu a serra de Santos depois de um feriadão, sabe do que estou falando com relação ao trânsito, chegamos perto do Rancho da Pamonha, já estava noite e meu pai sempre enxergou muito mal nesse horário, quando chegamos próximo a entrada, minha mãe grita para meu pai:
-Antônio a entrada é aqui!!!! – meu pai virou com tudo.
Eu sem entender direito o que estava acontecendo, senti o carro caindo, pois meu pai conseguiu cair com o carro em uma vala, entre a rodovia e a entrada do Rancho da Pamonha, um buraco enorme, e o carro entalou lá, descemos todos do carro e meu pai tentou tirar o carro engatando ré, mas sem chance, a cagada estava feita mesmo. Apareceu um monte de voluntários e com muito custo empurrando,  conseguiram tirar o carro do meu pai, agradecemos todo o mundo, e eu confesso que ainda estava com vontade do tal sorvete mas nem pensei em falar nada aquela hora, porque eu sabia a tensão que estava o momento.
Entramos no carro todos quietos, mas eu já estava com impressão que ia sobrar para mim, porque eu já estava acostumado com essas coisas, e não deu outra… vira minha mãe e diz:
-Você Sr. Luís, podia ter matado todo o mundoooooo!!! com essa história de querer sorvete e  blá blá blá… – as coisas começavam a ecoar na minha cabeça e nem tentei argumentar nada, porque se eu abrisse a boca para falar sobre o cegueta do meu pai, eu ia tomar uma “borduada” na orelha.
Depois por várias vezes que passava ali, via o tal buraco que meu pai entrou, e lembrava do acontecido e sempre das acusações sobre minha pessoa… e pensava que podiam mudar o nome do Rancho DA Pamonha, para Racho DO Pamonha (do meu pai), por não ver o buraco e ainda me culparem, mas isso eu só podia pensar mesmo, porque se eu falasse… meu Deus!
Depois de anos fecharam essa tal vala, mas sempre que passo ali é impossível não lembrar da minha culpa.
Mas essas coisas não são privilégio de fatos que aconteceram em casa, sempre levei culpa de coisas, na escola, na rua, nunca entendi direito esse carma. Por isso já nem sei mais se certas coisas eu realmente não fiz, vai saber né?.

Ainda bem que meu pai não tinha uma Havaiana de pau*** (segue link)

>CACHORRADA

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Sempre gostei muito de cachorros, adorava aqueles seriados e filmes da Lassie, Boomer, Bethoveen entre outros… todos que tivessem cachorros treinados, inteligentes, eu admirava e admiro isso em um cão. 

Fui mordido duas vezes por cães, uma vez estava provocando um cachorro no portão, eu sempre o provocava e o filho da mãe escapou um dia, corri para burro e o desgraçado mordeu meu pé, nunca mais o provoquei claro. E a outra vez estava empinando pipa e fui andando para trás, e não percebi que encostei em um portão de costas, tomei uma mordida na nuca, mas nada mais sério, também comecei a prestar mais atenção para onde eu andava, isso no caso é muito perigoso, já escutei várias vezes casos de crianças soltando pipa na lage de casa e esquecem e cai lá de cima, o meu só foi um corte e um susto.
Eu tive alguns cachorros que marcaram minha vida, o primeiro que tive foi o Kiko, mistura de poodle e vira lata, filho da Pituca que era da minha madrinha, era um doce de cachorrinho, e ficou pouco tempo com a gente, ele pegou Cinomose, e como antigamente não tinhamos as informações que temos hoje e tratamentos veterinários, ele não resistiu. Acordei em uma manhã de domingo com meu pai gritando, levantamos correndo e o Kiko estava deitado  no quintal e eu ainda chamei pelo nome, ele abanou o rabinho e suspirou fundo e se foi.
 Minha segunda cachorra foi a Xuxa, mestiça de pêquines, inteligentíssima, parecia gente, isto foi em Peruíbe, foi dada por uma senhor que não podía mais cuidar, ficamos uns 2 anos com ela, um dia ela escapou e um pastor alemão a pegou pelo pescoço, e ela também não resistiu. Parecia um velório em casa naquele dia, também não era para menos.

Depois dela, da Xuxa,  meu tio Cininho por ver que ficamos muito tristes, nos deu um filhote de uma cachorra dele, que ficava na oficina, esse era o Maradona, nome escolhido em um sorteio em casa, cada um deu um nome e colocamos em um papel, meu pai que escolheu esse nome. Um cachorro muito forte, e de um pelo lindo, uma mistura de pastor com vira lata, quando tivemos que mudar de Peruíbe, íamos mudar para um minúsculo apartamento em Itaquera, e tivemos que dar o Maradona. Voltamos a cidade um ano depois para resolver uns problemas, e fomos visitar o Maradona, a dona já não morava lá e deixou na mão de um funcionário, ele ficou louco quando nos viu, e fomos embora, ficamos conversando com um conhecido a uns 3 quilometros dali, daqui a pouco aparece o Maradona lá, ele escapou e foi pelo faro, então depois disso não tivemos escolha o trouxemos para São Paulo, mas ele veio doente, infelizmente estava com Cinomose também, fizemos de tudo, mesmo sem poder, porque naquela época era complicado as coisas em casa, mas também não teve jeito.

Depois do Maradona ficamos traumatizados e tão cedo não íamos pegar outro cachorro, não dava mais, tinha sido muita falta de sorte com todos eles, sempre fui muito sofrimento perde-los.

 Mas depois que meu pai faleceu, achei que precisavamos de alguma coisa para ajudar levantar um pouco astral de casa, e um rapaz me ofereceu uma Cocker que sua vizinha estava dando porque ela era muito ativa, bom realmente a Diana era o TAZ (personagem de desenho animado) em pessoa, parecia um furacão, com uma energia fora do comum, por mais que andasse, brincasse, ela não se cansava nunca, mas foi o cão em que mais tive intimidade, ela me conhecia muito, antecipava o que eu estava pensando, uma coisa extraordinária, mas ela acabou fugindo e alguém deve a ter pegado, pois com certeza voltaria, essa cachorra era fantástica.  É ela mesmo na foto ao lado.

Fiquei mais uma vez um bom tempo sem querer cachorro nenhum, mas pelo meu amor por esses bichos não resisti, comprei o Luigi, um Schanuzer branco, muito inteligente, mas teimoso e genioso, mas no geral tem ficado muito calmo e submisso, tenho usado técnicas de adestramento e ele tem respondido muito bem.
Os cachorros são coisas divínas, inexplicável seu companheirismo e dedicação para com o dono, ele não sabe o que você é de profissão, quanto você tem de dinheiro, ele quer saber apenas do seu afeto e amizade… nada importa se você é um lixeiro, ou um astronauta… importa é a energia que você transmite a ele. Obrigado Cesar Millan (Encantador de Cães), essa aprendi com você. hehehe. 

Luigi

OS MENINOS DO IPIRANGA

Minha família por ter comércio sempre mudou muito de residências, e até de cidades, e o período que considero a minha verdadeira infância foi no bairro do Ipiranga, aqui em São Paulo, metade das histórias que já postei aqui foram vivênciadas lá. Ali viví dos meus 7 anos até os 14 anos, precisamente na Rua Visconde de Pirajá, 339 – Alto do Ipiranga.

Todos os dias a molecada estava aprontando uma, as vezes coisas de minha autoria e planejamento, e outras vezes não. Brincávamos de bolinha de gude, carrinho de rolemã, pega-pega, cela… eram inúmeras brincadeiras, não dá nem para coloca-las aqui. Ali nós éramos cantores, compositores, ciclistas… e etc.
Da nossa turma eram:
Akira (O japonês): Ele por ser mais velho tinha uma certa liderança, muitas vezes atacada por mim, pois não aceitava tal situação e acabava tomando cascudo… Muitas vezes pegávamos minha mobilete e ficávamos mexendo com todo o mundo na rua que passávamos… era muito cómico, até que um dia estava em um Super Mercado com meu pai e um senhor me reconheceu como o arruaceiro da mobilete, e falou um monte para mim.
Zoião (Sidney) : Era sempre motivo de chacota da turma, por usar uns óculos fundo de garrafa. E eu que sempre tive muita habilidade de imitar as vozes, eu imitava a mãe dele o chamando (Vocês viram o Sidney???), e foi muitas vezes motivo de porrada. Infelizmente o Sidney veio a falecer a uns anos atrás em uma briga de bar.
Zé Luiz: Esse era o artista da turma, desenhava, fazia música para brincar com os outros… a última vez que tive contato, ele estava morando na Inglaterra, mas isso já fazem uns anos. Entre os clássicos da nossa turma e ele fez uma paródia da “Pinga em mim” do Sérgio Reis – para “Pinga ni eu” brincando com o pai do Akira que gostava de umas caninhas.
Ricardo: Meu vizinho, passávamos tardes e tardes, inventando alguma coisa… ele estava sempre em minha casa e eu na dele. Certa vez tomei um direto no olho recém operado, depois de uns dias acertei um na dele, e ainda quebrei o vidro do carro do pai dele com um chute… as coisas eram bem leves… Sempre tenho contato com ele, hoje um pai de família.
Rodrigo: Irmão do Ricardo, sempre estava conosco nas brincadeiras. Infelizmente veio a falecer no começo de 2010.

Marquinhos: Esse era meu fiel escudeiro, a maioria das “merdas” ele estava junto comigo, muitos pensavam que éramos irmãos. Certa vez ficamos muito tempo sem se falar por uma cagada que eu fiz, e merece que eu conte:

Atrás das nossas casas tinha uma casa abandonada, e as vezes pessoas desconhecidas invadiam tal lugar, era muito perigoso, e uma certa manhã nós fomos para lá para tirar as telhas do lugar, para evitar que invadissem a tal casa. Eu subi no telhado dessa casa e quando fui descer vi o Marquinhos colocando umas pedras para dificultar minha descida no muro por brincadeira, eu para assustar ele peguei uma telha e fui jogar perto dele, só que quando joguei ele se mexeu e acertei na mosca a cabeça dele… 
Foi um escândalo, por mais que pedisse desculpa ele nunca acreditou que foi sem querer. Mas foi sem querer viu Marquinhos!!!!  mas depois passou e continuamos amigos. (eu sou o de branco na foto, e o Marquinhos de azul)

A turma era muito criativa, foram momentos brilhantes vividos ali… este lugar fica mesmo ao lado onde é hoje a estação de metrô Alto do Ipiranga, que aliás onde eu trabalhei em uma farmácia do Sr. Saito, onde agora é justamente a entrada do metrô… demoliram a farmácia e também a bicicletaria do João que ficava ao lado, ponto frequente das nossas bicicletas.

Memórias… escrevo isso é como voltar lá…
Mas o Marquinhos… foi sem querer mesmo a telha… não esqueça que eu era ainda meio vesgo… O que poderia esperar?
Mapa detalhado do lugar: