Archive for the ‘Peruibe’ Category

>CARONA

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Bom… Para começar o ano de 2011 vou contar essa história que tem aquela máxima: Seria cômico se não fosse trágico!!!
Quando morei em Peruibe, eu tinha muito o costume de pegar carona, para ir para escola (quando perdia o ônibus), para ir ao centro da cidade ou fazer outra coisa, era normal de quem morava lá, era muito comum naqueles tempos, começo da década de 90, ficavamos na avenida principal fazendo aquele sinal caracteristico de quem pede carona. Peguei algumas vezes carona naquele tempo, até que um dia me aconteceu uma boa, que nunca mais na minha vida pedi carona.
Estava atrasado para ir para escola, naquela época eu estudava a noite, perto de onde é a prefeitura de Peruíbe, e fiquei na avenida esperando o ônibus, mas estava demorando muito e resolvi pedir carona. Ameacei pedir carona para um Chevette Azul que estava passando com um senhor dirigindo, mas achei que o ônibus estava vindo, e só fiquei na ameaça, e percebi que o senhor olhou bem nos meus olhos, mas foi embora. O ônibus passou e não era o meu, me arrependi de não ter pego, porque senti que o homem iría parar… mas enfim já tinha ido. Fiquei olhando para ver se arrumava uma carona ou se vinha meu ônibus, e para minha surpresa lá vem o Chevette Azul com o senhor de novo, que legal… ele percebeu que eu estava aflito para pegar o ônibus e não era o meu, quanta gentileza!!! pelo menos foi o que eu pensei na hora.
 Fiz o sinal e o homem parou, no que entrei no carro andou e ele perguntou:
-Você mora aqui?
– Sim… moro aqui nessa rua!! – Eu apontei para rua onde eu morava.
Mas ai começou uma bateria de perguntas, meu nome?, o que meu pai fazia? onde eu estudava? e etc… um monte de perguntas sobre minha vida, eu comecei a ficar com medo, mas o que poderia fazer, mais nada… Até que eu perguntei para ele:
– De onde você é? – e ele me respondeu uma coisa que preferia não ter escutado:
– Sou de São Paulo, mas estou indo para Registro, porque tenho um namoradinho lá…
-Hãã ??? – surpreso disse eu. De repente ele falou namoradinha né!?- pensei
-Sou de São Paulo, mas estou indo para Registro porque tenho um namoradinho lá… – repetiu.
Eu tinha entendido, mas queria não ter entendido, só fiquei pensado que me ferrei e de como iría sair ileso daquela situação, fiquei apavorado, mas me mative quieto, mas nada é tão ruim que não se pode piorar.
O homem pegou na minha mão, eu não sabia se gritava, se tentava dar um soco na cara dele, estava em uma ratoeira preso. Lembro-me muito bem dele mudando a marcha e segurando minha mão, ele olha para minha mão e diz:
– Você rói unha?
– Não… – respondo eu
– Não precisa cortar tão curtinha – disse ele.
Então ele falou algo que me deixou em apavoramento total:
-Sabe Luis, eu gostaria muito de ter um caso com você!
Eu já não falava mais nada, olhava pela avenida para ver se encontrava alguém conhecido, já estava chegando próximo do centro, mas não conseguia ver ninguém, realmente não sabia como iría sair daquela situação.
Ai ele começa a puxar minha mão para o lado dele e eu puxando minha mão de volta, parecia um cabo de guerra dentro do carro, e ele me perguntou:
-Posso te pegar hoje quando você sair da escola?
-Pode!!! Claro!!! – Eu disse que estudava em outra escola, o que eu queria era descer daquele carro. Quando chegou no centro de Peruíbe, eu disse:
-Olha vou ficar aqui! – era mentira porque ainda ia mais adiante, mas não queria que ele soubesse exatamente onde eu estudava e também queria descer daquele maldito carro.
Ai ele vira o carro em uma rua (que é a rua do cemitério de Peruíbe) e diz:
– Antes vamos conversar um pouquinho… 
Eu não tinha muita escolha, senti na pele “ou dá ou desce” o carro devia estar a uns 70 km por hora, abri a porta e me joguei para fora do carro, rolei, levantei e saí correndo todo esfolado (joelho, mão, canela) mancando e gritando:
– O CARA É VIADOOOO SOCORRO, SOCORRO…
As pessoas na rua não entendendo nada, ele acelerou o carro e sumiu, e eu não parava de correr e gritar, veio umas pessoas conversar comigo, e eu explicando a minha cagada…
 Enfim graças a Deus virou motivo de chacota e risos depois. O velho queria adentrar a parte posterior do meu reto… Eu hein!! nem pensar…
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O PINTOR

Na famosa casa que meus pais compraram em Peruíbe eu vivi momentos marcantes, nós compramos esta casa e ela estava meio derrubada (mal tratada), e meu pai estava reformando, ele queria dar um trato para depois vende-la melhor.
Meu pai começou a pintar toda casa, esse negócio de meu pai bancar o pintor era muito engraçado, porque eu sempre via mais tinta no farto cabelo dele do que no pincel… cheguei a pensar que ele pintava a parede com a cabeça…kkkk não tinha outra explicação, ele era muito atrapalhado, lembro-me de uma vez eu estava em um quarto nos fundos da casa, e ele pintando o outro, e de repente escutei um estrondo… tuffffffff corri para ver, estava meu pai no chão, dizendo que a escada tinha virado (imagino que sozinha) e ele perdeu o equilibrio, no que caiu o pé dele bateu quase no teto… a marca ficou na parede… incrível algo que nem Daiane dos Santos conseguiria, e até difícil de descrever… e lógico ele todo pintado, mais que a parede…
Mas o que ocorreria nos dias seguites era fichinha perto do “Pablo Picasso” que era meu pai…
Meus avós maternos vieram passar um final de semana conosco, e vieram também meus tios e primos, para conhecer a nossa casa de praia e passar um final de semana legal, então eles resolveram ir para uma cachoeira que fica a uns 15 Km de Peruíbe e eu não quis ir, queria ficar por lá mesmo, estava eu sozinho em casa e olhei que o muro desta casa não estava ainda pintado, e que meu pai tinha comentado que iría pintar, então tive uma brilhante idéia… EU VOU PINTAR…. claro enquanto eles estão lá se divertindo, eu pinto e mostro o grande talento que eu tenho, se meu pai é o Pablo Picasso eu sou o Michelangelo… oras bolas. As tintas estavam todas no canto da cozinha e tinha um galão de 18 litros de tinta bruta na cor Bege, ela precisa ser misturada com água para ficar pronta, é como se fosse uma massa corrida… mais ou menos isso, e pesa muito, então eu peguei um balde para fazer a mistura, no que fui virar a lata de 18 litros como ela pesa muito não aguentei e deixei cair tudo no chão, virou a lata toda daquilo no chão, ai me apavorei… MEU DEUS MEU DEUS… o que vou fazer??? então tive uma idéia muito bacana, pegar a mangueira e limpar aquilo tudo com ÁGUA e guardar as tintas, e esquecer da minha vida de pintor… só como eu disse a tinta é bruta e precisava de água para ficar pronta… comecei a jogar água e água e mais água e nada daquilo desaparecer, eu abri a porta da cozinha então quase tive um colapso nervoso, tinha escorrido na casa toda, sala, quartos, banheiro… tudo cheio de tinta… e no ponto… ai meu amigo entrei na dispensa e peguei todos os produtos de limpeza da minha mãe, em um gesto de misericórdia… o que eu queria mesmo era uma varinha mágica… Pinho Sol, Ajax, sabão em pó, criolina, detergente… tudo que via jogava no chão, acho que joguei até Listerine (Porra!!! se mata as bactérias?! não acaba com a tinta ? kkkk) para ver se desaparecia aquela tinta… Eu ia toda a hora no portão para ver se eles estavam chegando, porque se eles chegassem eu ia ter desaparecer uma semana, ou tentar inventar uma estória daquelas de dar inveja para a Agatha Christie, mas não me vinha nada na cabeça… Agora lembrando acho que cheguei a pensar em contar que um ladrão havia entrado em casa e em uma briga sangrenta eu dei com a lata na cabeça dele… resumindo eu estava bem do fudido…

Até que tudo que eu queria aconteceu, em uma das minhas idas e vindas no portão eu vi o carro do meu tio apontando no começo da rua, uns 300 metros de casa… e tudo estava lá em casa da mesma maneira, ai fiquei na rua não entrei mais, meu tio me viu de longe e ficava dando faróis para mim… buzinando, todos naquela alegria… e eu ali pensando: -coitado. Desceram do carro meu tio Carlos me abraçando e cantando, e meus pais dando risada… (se eles imaginassem o que estaria por vir) todos naquela alegria, nem viram que estava todo sujo de tinta, nem perceberam… e foram entrando e eu continuei na rua, entraram meus avós, meu tio e tia, primos e meus pais… só fiquei esperando algum milagre de ter desaparecido aquela merda que tinha feito… AI JESUS – gritou minha vó, ai vi o maratonista olímpico português chamado Antonio Morais (meu pai) correndo atrás de mim… se ele me pegasse eu estaria hoje em uma cadeira de rodas tenho certeza…kkkk não conseguiu me pegar claro, eu corria muito, depois de anos precisando correr do meu pai, virei um grande corredor…rsss

Sumi por umas 2 horas mais ou menos, mas eu conhecia a fúria do meu pai, e voltei fui chegando pertinho, me aproximei do muro lateral da casa e fiquei ali para ver como estavam as coisas, e meus primos Toninho e Marina do lado de dentro de casa, e eu conversando com eles ali no muro que era bem baixinho mesmo, eu sabia que qualquer descuido meu era fatal, quando olho para o meu lado esta meu pai com uma vassoura na mão, no que ele deu a vassourada eu me abaixei muito, mas muito rápido… no estilo Matrix, aliás acho que o Kenu Reeves se baseou nesta cena, e a vassoura acertou em cheio a cara do meu primo Toninho que caiu… e eu?! corri corri e corri… o meu calcanhar tenho impressão que encostava na nuca… Mas dei um tempinho e lógico voltei, agora imagina a fúria que o Sr. Vassoura estava… Mas enfim, tive uma mais uma idéia já pela noite, eu vi meu Tio Carlos que chamei ali perto do tal muro e pedi que me salvasse, contei para ele todo o fato, e disse que minha intençao era só ser ovacionado com a pintura do muro… blá blá blá e ele e minha Vó Alzira (que Deus a tenha em bom lugar)conveceram ao meu pai a não me bater, porque ali podia ter um novo Van Gogh…kkkk
Ai meu tio me chamou, dizendo que eu podia entrar que tinham amansado a fera, fui entrando como um cachorrinho de rua… sentei do lado da minha vó, vi que todo estrago já tinha sido limpo, fiquei ali quietinho olhando a cara do meu pai, então observei que nas paredes que eram brancas tinha ficado próximo do chão uma marca de tinta em toda a casa, como se fosse um rodapé bêge, foi a marca que ficou do estrago que eu tinha feito, foi então que resolvi falar uma coisa para ver o jeito dele: – Olha pai ficou um rodapé Bege!!! e meu pai muito simpático me disse:

– Cala tua boca se não seu olho é que vai ficar roxo…
Silêncio absoluto durante uma semana… Aprendi da pior maneira sobre as cores…
Minha promissora carreira de pintor acabou ali mesmo…
Nunca tive oportunidade de agradecer: obrigado Tio Carlos por me livrar de um espancamento.rssss
Nunca tive oportunidade de me desculpar: Desculpa Toninho pela vassourada na cara…kkkkkkk foi puro reflexo…

COQUEIROS

No começo dos anos 90 meu pai resolveu se aventurar na cidade de Peruíbe (litoral sul do estado de São Paulo), comprou uma casa que a lateral dela dava para uma avenida de terra batida. Essa casa tinha um canteiro de areia muito grande e tinha uns coqueiros, meu pai resolveu acabar com aquela areia e colocar grama e arrancou os coqueiros. Naqueles dias meus primos Helton e Helder estiveram lá para brincarmos e eu muito inteligente e sábio tive uma idéia que foi simplesmente fantástica e falei: -Porque a gente não planta esses coqueiros no meio da avenida, assim todo o mundo que passar vai se assustar e pensar que os coqueiros nasceram aqui da noite para o dia. ( pode????)……. Ainda ficamos imaginando o Cid Moreira vindo a Peruíbe fazer reportagem, vários reporteres internacionais para divulgar sobre os coqueiros mágicos e a terra mais fértil do mundo. Pois bem idéia lançada ao ar e começamos a concluir a mesma. Como essa tal avenida não era muito movimentada tivemos tempo de poder fazer um buraco, que na verdade fizemos três, pois eram três coqueiros que iríamos plantar e plantamos os coqueiros. Ficamos ali olhando um tempo a nossa obra de arte e tentando imaginar oque as pessoas pensariam daquilo tudo. Olhei mais adiante e vi dois faróis se aproximando, saímos correndo e ficamos na esquina de uma rua olhando oque aconteceria, e era a primeira pessoa que iria testemunhar aquele milagre da natureza, notamos que se tratava de um Volkswagen/Brasília e estava em alta velocidade. Eu olhei para cara dos meus primos e falei a frase mágica: _MEU DEUS…………………em tom de desespero. O homenzinho fez uma manobra que até hoje não sei como ele não espatifou a Brasília dele na nossa obra prima, ele jogou o carro dele encima do canteiro (um barranco) que tinha na lateral da estrada e parou a Brazoca dele, com um detalhe, ele nos viu. A nossa única opção, era? Correr…………. e muito por sinal. Me joguei dentro de uma vala de lama que na frente tinha uma moita o meu primo Helder também conseguiu se esconder, mas como a gente sábia que o homem estava babando atrás da gente e o meu primo Helton ficou paralisado, estático, sem ação nenhuma e o nosso amigo da Brasilia pegou ele. E ele muito inteligentemente gritou: _Pessoal pode sair, que ele pegou todo mundo!!!! Não acreditei que ele estava nos traindo daquele jeito, levantamos e fomos acabar com a nossa esperança de nos tornarmos famosos por morar na terra mais fértil do mundo, tiramos tudo com aquele camarada gritando na nossa orelha ai minha orelha ficou duas ou três vezes maior. Depois ainda nos levou para os nossos pais (que falta de sensibilidade) para contar oque havia acontecido. Minha vida de Botânico acabou ali mesmo, a terra não era fértil. Mais as nossas cabeças!!!!!!! Que fertilidade!!!!!!